Pai, posso ter um bar? Todos os meus amigos tem!
Bom, por mais que eu seja contra essa mentalidade, alguns aspirantes a “empresários” da noite acreditam que basta dinheiro e um local (independente da localização e estrutura em alguns casos), para se realizar o desejo de se ter uma casa noturna.
Eu mesmo, desde moleque, quando comecei a me socializar, curtir saídas com os amigos, curtir as bandas, pensei em ter minha própria casa noturna. Tinha amigos com dinheiro que seriam sócios em potencial, tinha um primo que conhece metade da cidade e, por alguns anos, eu conheci a outra metade. Por que não o fiz? Simples, precisa mais do que dinheiro e conhecimento para uma casa ter sucesso. Como nunca encontrei o lugar ideal e nem tive a idéia genial, a vontade foi passando e hoje não me arrependo. Ainda mais porque tenho amigos que são empresários ou conhecem empresários e eu vi que precisava muito mais do que carisma para fazer dar certo. Precisava ter o dom de saber quando e como mudar. Inclusive hoje irei no bar que gosto muito, de um amigo querido, que tem esse dom.
O Igor é um exemplo de empresário nesse ponto. O cara comprou uma boate famosa, abriu outra no lugar que se tornou mais famosa ainda, e quando viu que estava na hora, fechou a boate e hoje tem um bar que faz mais sucesso ainda. Ele acertou em todos os pontos. O local, nem se discute, além disso soube criar a nova boate, fazê-la ter sucesso, fazê- la se tornar referência na mente de jovens, hoje não tão jovens assim, de uma adolescência/juventude muito divertida. Hoje ele tem um bar muito aconchegante, que adoramos ir. Claro, como todo estabelecimento, tem seus pontos fortes e fracos mas o que nos faz voltar sempre, mesmo com os pontos fracos, é o carisma e a identidade do dono. Viu? Ele soube juntar tudo. Ao contrário dos pseudo-empresários que me inspiraram esse post.
Ontem fomos mais uma vez prestigiar nossa querida banda, de nossos queridos amigos, num local, digamos, intrigante. A primeira vista o estabelecimento parecia ser promissor, decoração legal, ambiente maneiro mas era só fachada, literalmente. O Pub ONE parece interessante quando você entra mas assusta quando você o desbrava. Essa nova casa noturna de Niterói não chegou nem perto de deixar a desejar. Foram tantas as bola fora, os pontos contra, que você sai de lá pensando “que bom que acabou!” e “os meninos que me desculpem.. mas aqui não consigo voltar…”. O lado bom de irmos e curtirmos a noite foi a demonstração de amor pela banda e carinho pelo baixista, aniversariante da noite. Sabe aquele tipo de local com uns defeitinhos que, se a casa vale a pena você releva mas se o contrário acontece, eles só se agravam? Pois é… esse foi o Pub ONE.
Procuramos o local que acabamos encontrando porque tinha uma garrafa inflável de KOVAK (ic!) próximo a porta porque, o letreiro mesmo, não apresenta o local. Uma placa preta, escrita de forma escura, não mostrava que tínhamos chegado ao nosso destino. Bom, entramos e encontramos nossos amigos. Conseguimos uma mesa, sentamos e (lembra dos defeitinhos?) pegamos o cardápio (provavelmente feito no word e plastificado na papelaria ali perto) molhado, secamos e começamos a escolher nossos pedidos. A primeira coisa que estranhamos é que, na mesa do lado de fora, junto aos mosquitos da região, os pedidos eram feitos com conta em mesa, ao invés de cartela, e não conseguimos entender como isso ajudaria na hora que fossemos assistir o show.
Well.. outros amigos chegaram, se juntaram a nós e ficamos batendo papo até que o show começasse. Nesse meio tempo, a nossa amiga queria uma vodka com redbull e nosso amigo teve que se levantar e ir até o bar buscar. Para nossa surpresa, ele volta com uma cartela na mão. Ora bolas (credits for Lena Hill), se havia cartela, “what a hell” estávamos com uma conta na mesa? Minha mente empresarial já começou a maquinar… Logo percebi que teríamos um problema na hora de ir para o show, só não imaginávamos o tamanho dele!
Pouco antes do show, nosso guitarrista chega desesperado porque percebeu a cacá que ia dar na hora de irmos para a “boate” assistir ao show. Ou melhor, aos fundos da casa, assistir ao show (Calma… já já eu me explico…). Ficou sabendo que teríamos que pagar para irmos para os fundos da casa onde aconteceria o show. Ah, sem problemas! Como um dos donos da casa mesmo disse “teríamos acesso liberado para andar pelo estabelecimento”. Pausa… UAUUUU! Que Bom! “What a hell!” again! Por que diabos as pessoas pagariam para ir aos fundos da casa se poderiam ouvir o show I N T E I R O (!!!) sentadinhos em suas mesas, sem se enrolarem com cartelas e tudo mais?
Bom, continuando a saga… Na segunda dose de vodka da nossa amiga, ela teve que trazer em um copo de cerveja, aquelas tulipinhas, sabe? Os copos longos tinham acabado naquele momento… (defeitinhos, again!) Depois disso levantamos para assistir ao show mas descobrimos que, antes de passarmos para os fundos da casa, teríamos que pagar a conta do que consumimos ali fora. Muito a contra gosto, minha linda senhora foi lá e eu fui entrando para o show quando descobri que teríamos que pagar antecipado!!!!! Mesmo tendo cartela que deveria ser paga no final! Por que? Porque a entrada deveria ser paga em dinheiro para pagar o cachê dos meninos. Ora… sinal de que a casa não tem planejamento para o show.
Entramos num ambiente sombrio, todo preto, quente, sem ventilação, ideal para o Corpo de Bombeiros, sabe como? Quando a minha linda chegou me perguntou quanto eu havia pago e aí mais uma surpresa. Se você não está em lista de convidados, Homem paga 15,00 e Mulher 10,00 maaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaas, se você tem a sorte (????) de fazer parte de uma lista de convidados, Homem paga 20,00 e Mulher 15,00. A justificativa? Homem pode consumir 15,00 e mulher 10,00. UAUUUUUUUUUUUUU²!
Lá dentro, novas surpresas nos aguardavam. Descobrimos que para ir ao banheiro, a forma mais segura era estar acompanhada porque a porta do banheiro das mulheres não fechava então precisava sempre de alguém vigiando-a. E lá dentro, mais uma surpresa. Um banheiro de mulher com cara de banheiro de homem! Dois vasos sanitários separados por uma divisória igual aquelas de escritório mas sem porta! Ou seja, se uma mocinha apertada entra para fazer suas necessidades e outra mocinha, também apertada, quer usar o mesmo banheiro não dá porque, se abrir a porta, será um show a parte para quem estiver lá fora.
Leram a parte que falei que não tinha ventilação? Isso fez com que suassemos horrores! Assim como os meninos da banda que precisaram de agua. Começamos a rir quando um amigo nosso foi buscar agua para eles e vem com uma garrafa pet de dois litros cheia d’ agua. Gente… pelamor (creditos para Camis)! Não tinha garrafinha d’ agua no bar? Ah! O bar! Esse era atendido por uma menina muuuuuuuito animada e motivada! Quando fui pegar uma Coca Zero e vi que essa estava congelada, pedi que trocasse fazendo com que outras 3 latas fossem abertas, todas congeladas. Fiquei esperando ela resolver mas da mesma forma como esperei, sai sem beber meu refrigerante porque ela chamou o dono, mexeu na geladeira, arrumou tudo e não conseguiu me providenciar uma latinha descongelada. Nem isso, nem desculpas, nem baixa do refrigerante na cartela e nada. A vantagem era que os meninos tinham dois litros de agua dos quais usufrui
Como era esperado, o local do show ficou vazio. A maioria das pessoas preferiram escutar de suas mesas. Mesmo a banda dando um show de rock nacional, quem pagaria se poderiam escutá-los de graça? Inclusive da rua! No fim, assistimos ao show, prestigiamos nossos queridões e fomos embora, rindo da noite insólita que tivemos e eu, particularmente, feliz por ter extraído um dos maiores e talvez mais divertidos textos para meu blog, dessa experiência.
E aí, Freddy, entendeu?